“Se existe alguma coisa a respeito da qual se deva fazer exatamente o oposto do que o governo e a mídia lhe dizem para fazer, essa coisa é investir em ouro”. Robert Ringer

 

O Fim do Padrão Ouro - Parte 1

 

A Depressão, ou mais formalmente, a Grande Depressão, foi um longo período de dificuldades econômicas que durou de 1929 a 1937. A desaceleração na economia norte-americana já havia começado em agosto de 1929. No entanto, a maioria das pessoas não tinha conhecimento do que estava acontecendo até que o mercado acionário começou a entrar em colapso em 24 de outubro de 1929 (dia que ficou conhecido como a "quinta-feira negra"). Em pouco tempo, a economia dos Estados Unidos da América se deteriorava significativamente e a depressão começava de modo implacável.

 

Em 1932, Franklin Delano Roosevelt foi eleito presidente dos Estados Unidos depois de prometer tomar medidas enérgicas para melhorar a situação econômica do país. No momento em que Roosevelt assumiu a presidência, em março de 1933, as condições econômicas de todo o país eram péssimas. A produção industrial havia declinado de 56 por cento desde 1929 e mais de treze milhões de pessoas, um terço da força de trabalho, estava desempregada. Para piorar ainda mais a situação, os agricultores de todo o país estavam indo à bancarrota. Na época, a economia dos EUA fundamentava-se, em grande medida, na produção agrária.

 

Um dos maiores problemas enfrentados por Roosevelt era o grande número de pessoas que vinha perdendo a confiança no papel-moeda e começavam a requerer o resgate de seu dinheiro (títulos resgatáveis em ouro físico). Essa chamada "corrida aos bancos" começava a se tornar cada vez mais frequente desde o colapso da bolsa em 1929, e a situação persistia no momento em que Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos da América. Se um banco não podia atender às demandas de seus depositantes, teria então que fechar as portas. Em 1929, havia 24.633 bancos nos EUA. Em 1933, apenas 15.015 estavam ainda em atividade, um decréscimo de 31 por cento.

 

 

A corrida aos bancos significava algo potencialmente devastador também devido a outras razões. Não só depletava as reservas de ouro, como também removia grandes quantidades de dinheiro que estava em circulação, e isso justamente em um momento quando a economia mais precisava desse dinheiro para se recuperar. A nação necessitava de dinheiro para se reerguer, e a diminuição do suprimento de dinheiro, de 1929 a 1933, foi um dos próprios motivos que explicam porque a depressão foi tão severa e porque durou tanto tempo.

 

Em 1933, grande parte do mundo, incluindo os EUA e muitos países europeus, se encontrava sob o padrão-ouro, o que significava que o papel-moeda podia ser resgatado em ouro físico. E o que é importante que se saiba, é que em outros países podia-se trocar o papel-moeda por ouro e em transações diversas, as quais também incluíam o comércio, e o dinheiro podia ser trocado também por dólares norte-americanos já que o dinheiro dos EUA já era um título resgatável em ouro desde há muitos anos. E isto também está no rol dos motivos que conduziram ao famoso encontro em Bretton Woods.

 

Em tempos normais, no entanto, poucas pessoas buscavam essa troca (o resgate do papel-moeda por ouro físico). Já era o suficiente simplesmente saber que o resgate era possível. Mas aqueles não eram tempos normais. Em 1933, os Estados Unidos estavam em apuros e pessoas de todo o país começavam a trocar seus dólares por ouro. Roosevelt e seu time decidiram interromper aquele processo, e para isso decidiram mudar o sistema transmutando-o em um novo. A partir de agora, o governo dos Estados Unidos da América iria deter e controlar todo o ouro do país. Em outras palavras, Roosevelt começou um processo de "nacionalização" do ouro.

 

Em 1933, com o apoio do Congresso americano, Roosevelt tornou ilegal para os americanos a posse de ouro físico, em moedas ou em barras. Nesse novo sistema, estava então suspenso o direito dos americanos de poderem trocar o papel-moeda por ouro. E finalmente, como se podia supor, iniciaram o confisco de todo o ouro privado do país, forçando as pessoas a trocá-lo junto ao governo por papel-moeda à taxa de US$ 20,67 dólares por onça.

Em um ano, o governo dos EUA passava a ter em sua posse a maior parte de todo o ouro do país. Então, em 31 de janeiro de 1934, Roosevelt, valendo-se de sua autoridade que lhe havia sido concedida pelo Congresso, unilateralmente elevou o preço do ouro para US$ 35 dólares a onça. Da noite para o dia, uma onça de ouro que antes valia US$ 20,67 dólares, passava a valer US$ 35 dólares. E as implicações desta manobra sobre as finanças dos cidadãos norte-americanos foram pra lá de devastadoras. Irremediavelmente, iniciava-se um novo e perigoso período econômico, e cujas mais graves consequências só seriam amplamente vistas vários anos mais tarde.